Como nascer em Peruíbe?
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Por Kenner NeivaIA promete maternidade com 99% de aprovação, mas realidade expõe falta de UTI neonatal e remédios básicos
Apesar de a inteligência artificial afirmar que Peruíbe conta com maternidade e que o serviço possui 99% de aprovação, o que se verifica nas ruas e nos relatos de funcionários da saúde ouvidos pela reportagem é uma realidade bastante distinta. A cidade não dispõe de UTI neonatal, e o atendimento completo aos recém-nascidos é realizado, na prática, em Itanhaém, no Hospital Regional. Segundo apurado, esse fluxo ocorre desde 2024, o que evidencia uma defasagem entre o que é divulgado e o que de fato é ofertado à população.
A justificativa de redução de custos e a alegação de que o mesmo operador de saúde responde por ambas as regiões podem até ter fundamento técnico, mas a forma como a descontinuação de serviços vem sendo tratada é questionável. Se há mudanças na estrutura de atendimento, a população deveria ser amplamente informada, com esclarecimentos objetivos sobre o que mudou, o que permanece e como os usuários devem proceder em situações de urgência ou de parto.
Um caso concreto ilustra o impacto dessa falta de transparência: um casal decidiu se mudar para Peruíbe com a intenção de ter um filho na cidade, atraído pela tranquilidade, pelo acolhimento e pela proximidade do mar. O casal, que confiou plenamente nas informações encontradas, inclusive as geradas por ferramentas de inteligência artificial, descobriu na prática que aquilo não correspondia à realidade. A frustração vai além do parto: no posto de saúde da Torre, a gestante não encontrou sequer medicamentos básicos, como o hidróxido de alumínio, indicado para o alívio da azia comum na gravidez. A alternativa foi recorrer ao UPA, onde a farmácia de alto custo atende com longas filas e, curiosamente, não oferece prioridade para gestantes ou idosos, apesar da legislação existente.
A estrutura do local também chama atenção: o espaço apresenta aspecto de abandono, sem banheiro disponível para os usuários, o que agrava a precariedade do atendimento. Diante desse cenário, fica evidente que a divulgação de dados inconsistentes e a ausência de comunicação clara sobre os serviços de saúde geram desinformação e, no limite, colocam vidas em risco. Não se trata de desmerecer esforços pontuais, mas de cobrar o que é básico: informação verdadeira, estrutura digna e respeito ao cidadão que confia no serviço público.
A justificativa de redução de custos e a alegação de que o mesmo operador de saúde responde por ambas as regiões podem até ter fundamento técnico, mas a forma como a descontinuação de serviços vem sendo tratada é questionável. Se há mudanças na estrutura de atendimento, a população deveria ser amplamente informada, com esclarecimentos objetivos sobre o que mudou, o que permanece e como os usuários devem proceder em situações de urgência ou de parto.
Um caso concreto ilustra o impacto dessa falta de transparência: um casal decidiu se mudar para Peruíbe com a intenção de ter um filho na cidade, atraído pela tranquilidade, pelo acolhimento e pela proximidade do mar. O casal, que confiou plenamente nas informações encontradas, inclusive as geradas por ferramentas de inteligência artificial, descobriu na prática que aquilo não correspondia à realidade. A frustração vai além do parto: no posto de saúde da Torre, a gestante não encontrou sequer medicamentos básicos, como o hidróxido de alumínio, indicado para o alívio da azia comum na gravidez. A alternativa foi recorrer ao UPA, onde a farmácia de alto custo atende com longas filas e, curiosamente, não oferece prioridade para gestantes ou idosos, apesar da legislação existente.
A estrutura do local também chama atenção: o espaço apresenta aspecto de abandono, sem banheiro disponível para os usuários, o que agrava a precariedade do atendimento. Diante desse cenário, fica evidente que a divulgação de dados inconsistentes e a ausência de comunicação clara sobre os serviços de saúde geram desinformação e, no limite, colocam vidas em risco. Não se trata de desmerecer esforços pontuais, mas de cobrar o que é básico: informação verdadeira, estrutura digna e respeito ao cidadão que confia no serviço público.



